Acredito que uma das maiores dificuldades humanas são as relações interpessoais. Isto acontece tanto fora como dentro da Igreja. Desentendimentos dos mais diversos, antipatias, fofocas, brigas, etc…. Conflitos que (em alguns casos) geram nos corações das pessoas, um sentimento extremamente profundo, chamada DECEPÇÃO.
Consultando o dicionário, temos o seu significado: Malogro de uma esperança; desilusão, desengano, desapontamento, surpresa desagradável; desapontamento, contrariedade, desgosto.
Estudando as Escrituras notamos que Jesus experimentou muitas situações e sentimentos semelhantes aos nossos. Ele provou dor física (foi espancado e crucificado), foi deixado por seus amigos (contudo, não se sentiu sozinho – João 16.32), foi oprimido e humilhado (Isaías 53.7), chorou “silenciosamente” (grego), com a morte do amigo Lázaro (João 11.35), sentiu-se desamparado pelo Pai (Mateus 27.46), teve sede (João 19.28), não tinha onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20), etc, etc, etc….
Mas, a pergunta que não quer calar àquele que se encontra assolado por profunda decepção é: “Jesus já se sentiu decepcionado?”.
Homens que já provaram decepções:
Davi – Salmos 38.12-15 “Os meus amigos e companheiros afastam-se da minha praga, e os meus parentes ficam de longe. Armam ciladas contra mim os que tramam tirar-me a vida; os que me procuram fazer o mal dizem coisas perniciosas e imaginam engano todo o dia.Mas eu, como surdo, não ouço e, qual mudo, não abro a boca. Sou, com efeito, como quem não ouve e em cujos lábios não há réplica. Pois em ti, SENHOR, espero; tu me atenderás, Senhor, Deus meu.”
Jó – 19.13-17 “Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim. Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos. Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe.”
Procuraremos dar o nosso ponto de vista, dentro daquilo que conhecemos do caráter de Jesus mediante as Escrituras.
1. Jesus em sua presciência conhece o ser humano.
Hebreus 4:13 “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.
Lucas 5:22 “Jesus, porém, conhecendo-lhes [grego – “epiginosko” – epi= sobre / ginosco= saber exatamente, completamente] os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração?”
João 2:25 “E [Jesus] não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia [gr. Ginosko – saber exatamente, completamente] o que era a natureza humana”.
Normalmente, nos decepcionamos com alguém porque colocamos nesta pessoa, (falemos de pessoas) determinada expectativa. Esperamos que ela nos ame (do jeito que queremos), que nos respeite, nos trate bem, nos elogie, tenha exatamente os mesmos gostos e opiniões, e ai dela se houver divergências! Resumindo, este relacionamento tem que ser exatamente como nós queremos, e como nós achamos que é certo e bom! Colocamos sobre os ombros dos nossos amigos, da família, dos nossos líderes e pastores, um verdadeiro fardo, insuportável e impossível de ser carregado! E quando alguém não corresponde àquilo que esperamos, nos desapontamos!
Já ouvimos a reclamação de algumas pessoas quanto a isto. E aquelas que conseguiram “sair desta”, dizem em tom altivo: – “Aprendi que o ser humano é falho”. Atribuindo a culpa e a falha somente a pessoa que causou a decepção. Com certeza o homem é falho, é terreno, as Escrituras afirmam:
“Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”.Salmos 14:3
“Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios”.Salmos 146:3-4
Só que nós também temos nossa parcela de culpa na questão, porque?
“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” Jeremias 17.5 (RA).
Porque confiamos mais no homem do que no Senhor. Damos a ele mais crédito do que a Deus. Esperamos mais dele do que deveríamos e sofremos as conseqüências desta escolha errada.
Jesus nunca se decepcionou com ninguém, porque Ele nunca esperou mais do que as pessoas podiam dar-lhe. Ele conhecia (e conhece) muito bem, a natureza humana e os corações. E ele se relacionava dentro deste conhecimento e de dois princípios:
Atos 20:35 “…. Jesus disse… Mais bem-aventurado é dar que receber”.
É possível “dar” sem “amar”, mas é impossível “amar” sem “dar”.
2. As bases dos relacionamentos de Jesus.
2.1- Dar – Romanos 5:8 “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato”. de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”“.
Deus deu seu filho, para morrer em nosso lugar; e semelhantemente, Jesus, se deu voluntariamente como oferta pelos pecados de toda a humanidade. Jesus não estava interessado no “status” que poderia ter em determinado grupo, nos elogios que recebia, não queria aplausos ou um tapete vermelho onde quer que andasse. Ele não tinha nenhum problema de rejeição ou auto-afirmação. Ele sabia exatamente quem era, e qual a sua missão. Palavras-chave na vida de Jesus: Identidade e Propósito.
Marcos 10:45 “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.
Ao contrário de nós, que sempre nos relacionamos esperando algo:
“Eu te dou minha amizade, mas você tem que me amar”.
“Eu te dou carinho, mas você tem que estar sempre disponível para mim”.
“Serei sua (seu) amiga (o), mas não discorde de mim!”
Raramente estamos dispostos a nos relacionar, a exemplo de Jesus, mais preocupados em dar do que em receber. E este é o nosso grande erro e a causa de inúmeros problemas interpessoais.
2.2 – Amar
Romanos 12:10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.
1 Coríntios 13:2-13
“Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.”“.
Como é incrível a capacidade que temos de “esquecer” as coisas! Quantas vezes já lemos os versículos acima e nos esquecemos deles, cinco minutos depois, isto quando não damos a eles a menor atenção julgando não precisar vivê-lo. Somente um coração cheio de amor vindo do alto (ágape), pode amar de forma desinteressada, a ponto de “dar” e “servir” os outros em amor.
Jesus quer nos ensinar TODA a sua Palavra, de modo que possamos vivê-la e que sejamos por ela curados.
3. A cura para as nossas decepções.
3.1 – Está somente em Jesus.
3.2– É necessário reconhecer que pecamos quando cobramos e esperamos de nossos irmãos, algo que eles não podem nos dar.
3.3 – Precisamos reconhecer que nem sempre aquilo que julgamos ser o melhor dentro de uma relação, é o certo. A palavra de Deus é a verdade, e devemos andar na sua luz, somente.
3.4 – Devemos confessar a Jesus este pecado, e o que ele gerou em nosso coração: decepção, quebra de relacionamento, tristeza, etc.
3.5 – Devemos pedir a Jesus que nos perdoe e purifique.
3.6 – Devemos pedir ao Senhor que nos ensine a nos relacionarmos, e nos ensine a amar e dar.
Fonte: Esboços e mensagens / Autor: Deise N. de Silos da Silva